quinta-feira, 19 de julho de 2012

Garotada se diverte em oficinas de criação do 20º Anima Mundi


Animação é muito divertida. Quando crianças, praticamente todo mundo gosta de animação. Mas hoje há também animação voltada especificamente para adultos, haja vista séries norte-americanas de sucesso como "Os Simpsons", "O Show de Cleveland" e "Uma Família da Pesada". Animação se tornou algo atrativo a todas as idades.
Com esse mercado que só cresce, começou na sexta-feira (13/7/2012) o maior festival de animação do Brasil, o Anima Mundi, com uma programação de mais 400 filmes para adultos e crianças. Mas, além das produções nacionais e estrangeiras, os jovens se divertem com as oficinas que fazem parte da programação do evento.

"É possível ver gente de todas as idades, novas gerações...", disse Aída Queiroz, uma das diretoras do festival.

As tradicionais oficinas gratuitas do Espaço Aberto são um dos destaques do evento. Através delas, as pessoas podem ter o primeiro contato com técnicas usadas para fazer os filmes animados como stop-motion ("massinha"), desenho animado, zootrópio, areia, pixilation e película. As oficinas, assim como os filmes infantis (todos dublados especialmente para o Anima Mundi), terão entrada gratuita.

A série "Shaun, o Carneiro", feita pelos mesmos produtores de "A Fuga das Galinhas", usa a técnica do stop-motion.

Os filmes serão exibidos no Centro Cultural dos Correios, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Casa França-Brasil, no Cine Odeon, no Espaço Itaú de Cinema e no espaços Oi Futuro (Flamengo e Ipanema). Os filmes adultos custam R$ 8.
O Anima Mundi, criado em 1993, é um dos três maiores festivais do gênero do mundo. O evento ostenta outro título: entrou para o seleto grupo de festivais qualificados para indicação ao Oscar de curta-metragem de animação. Países como França, Alemanha, Japão, Polônia, Portugal, EUA, Suíça, Dinamarca, República Tcheca, Síria e Tunísia estarão representados nas telas do festival.
A animadora Sarah Cox vem falar sobre um filme feito com a colaboração de crianças do mundo inteiro.
Desde 9 de julho, o evento "Anima Mundi Memória" já ocupa o Monumento a Estácio de Sá, no Flamengo. A mostra aposta na tecnologia e na interatividade: o visitante explora o conteúdo exclusivo através de tablets, painéis informativos, fones de ouvido e computadores. A ideia é exibir trechos, filmes, fotos e histórias do festival, além de celebrar todos os países por onde o Anima Mundi já passou.
O festival Anima Mundi tem importância fundamental na carreira de toda uma geração de profissionais brasileiros, como Carlos Saldanha – que dirigiu "Rio" e a franquia "A Era do Gelo" – e Rodrigo Teixeira, responsável pelos efeitos especiais de "Sin City" e "A Invenção de Hugo Cabret".
O festival vai até o dia 22 de julho. O site com toda a programação do festival é www.animamundi.com.br.

A animação "Sexo Não É Brincadeira" é um exemplo de uso sério, adulto, deste tipo de filme.


"Baletéia e a Boneca Misteriosa" é uma animação de 2008, feita por alunos da rede municipal do Rio de Janeiro.

Adaptado de: G1. Garotada se diverte em oficinas de criação da 20a edição do Anima Mundi. disponível na internet. http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/07/garotada-se-diverte-em-oficinas-de-criacao-da-20-edicao-anima-mundi.html. julho/2012.

QUESTÃO (Data limite para envio da resposta: 3/8/2012):

Quais países europeus citados no texto terão filmes no festival?

As divisões administrativas brasileiras


Nosso país é uma federação. Isso quer dizer que o Brasil é uma união formada por várias unidades menores que possuem alguns poderes próprios, ou seja, uma certa autonomia para decidir sobre alguns assuntos sem consultar o poder central da União, representado pela presidenta do país.
A idéia é deixar os grandes assuntos para a União e os assuntos menores para as outras unidades administrativas. Seria complicado se toda queixa de buraco na rua no Brasil todo fosse parar na capital do país: a “fila” seria grande.
O Brasil é formado por 27 Estados (e ainda o Distrito Federal, onde está a capital do país, Brasília). Cada Estado é formado por certo número de municípios (o Estado do Rio de Janeiro é formado por 92 municípios). Veja:

O Brasil, formado por seus 27 Estados e o Distrito Federal (DF). Existem leis do poder central da União que valem para todos os Estados e existem leis estaduais que só valem no interior de cada Estado. Por exemplo: o Estado do Rio de Janeiro é o único que obriga os motoristas a fazer vistoria anual dos carros nos postos do DETRAN e o único que faz blitzes para verificar se os motoristas estão embriagados.

O Estado do Rio de Janeiro, formado por 92 municípios (as estrelas representam o centro de cada município mostrado: as cidades). O município mais novo do Estado é Mesquita, que se separou de Nova Iguaçu em 1999. Cada município do país possui um prefeito e uma Câmera de Vereadores (que votam leis municipais).

Segundo a Constituição Federal, nossa lei máxima, existem funções que são do poder central da União: definir o valor da moeda, fazer a defesa do país, definir o que é crime, entre outros; existem funções que são obrigações dos Estados: a educação em nível médio, a polícia, os bombeiros, o serviço de água e esgoto, o serviço de eletricidade, licenciamento de automóveis, entre outros; e existem as funções que são dos municípios: a educação em nível fundamental, a ordenação do trânsito da cidade, a permissão para construção de imóveis, feiras, entre outros.
No bairro de Jardim América, estão acontecendo obras de ligação de esgoto para que o bairro fique conectado à rede de tratamento de águas: assim a água suja das casas não irá mais para os rios. Essa obra é de responsabilidade da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), que é uma empresa do Governo Estadual, presidido, atualmente, pelo governador Sérgio Cabral Filho.
Perceba que as próximas eleições, para as administrações municipais, nada têm a ver com essas obras. A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, chefiada, atualmente, por Eduardo Paes, não tem nenhuma ligação com essas obras: esgotamento sanitário não é uma função das prefeituras.
É importante saber a quem cabe cada função para saber a quem reclamar.

Novo logotipo da CEDAE ao lado do logotipo do Governo Estadual de Sérgio Cabral Filho. Estes dois símbolos podem ser vistos no Guia do Usuário da CEDAE, publicado em fevereiro deste ano.

QUESTÃO (Data limite para envio da resposta: 3/8/2012):

É certo dizer que as obras de esgotamento sanitário de Jardim América dependem da administração de Eduardo Paes? Justifique:

A origem dos Jogos Olímpicos



No ano de 884 a.C., algo muito grave ocorreu na região grega da Élida. Uma peste assolava toda a área. Desesperado com o que estava acontecendo, o rei Ífito foi consultar a sacerdotisa Pítia. Ela disse ao rei que os deuses só fariam cessar a peste se os Jogos Olímpicos – que, no passado, teriam começado com o herói mitológico Hércules – voltassem.
Os jogos passaram a ser realizados regularmente, na cidade de Olímpia, como agora, de quatro em quatro anos. Oficialmente, eles contam a partir de 776 a.C., quando se iniciou o registro dos campeões.
Os jogos eram muito diferentes dos atuais. Duravam cinco dias e haviam provas para adultos e adolescentes. As provas eram: corridas, lutas, lançamentos de dardo e disco, saltos em distância, provas a cavalo e corridas com armas. No início e no fim dos jogos haviam cerimônias e sacrifícios para os deuses.
Mais de 40 mil pessoas podiam assistir aos jogos. Para participar, era preciso ser homem, grego e livre. Quatro semanas antes dos jogos era feita uma seleção para que escolher os melhores que deveriam competir. Outra diferença é que, por muito tempo, nos jogos da Antiguidade, os atletas competiam nus.
A premiação consistia em uma coroa feita de ramos de oliveiras. Depois, os vencedores participavam de grandes banquetes, festanças. Ganhavam presentes. Transformavam-se em heróis e eram conduzidos às suas cidades em carros puxados por cavalos. Podiam ter regalias por toda a vida, afinal, os antigos gregos acreditavam que seus feitos acalmavam a ira dos deuses.
Os jogos da Antiguidade acabaram por volta do ano 400 d.C., quando o imperador romano Teodósio, decretou o fim de todas as festas que não fossem cristãs, como era o caso dos Jogos Olímpicos. Nesta época, a Grécia era parte do antigo Império Romano e seguia as leis que vinham de Roma.

 Episódio da série "Os Campeões de Olímpia", recria com atletas atuais como eram os jogos da Antiguidade.

Trazendo os jogos de volta

No final do século XIX, havia um grupo de pessoas na Europa que defendia o olimpismo, uma filosofia que reconhece o esporte como instrumento para promoção da harmonia e bem-estar do homem; vê no esporte a possibilidade de bons exemplos e no valor educativo destes. No ideal olímpico, estão presentes as idéias de amizade, solidariedade e justiça. São estas idéias de valorização e promoção do esporte, muito fortes no Reino Unido, que motivaram um francês chamado Pierre de Frédy - mais conhecido por seu título de nobreza, Barão de Coubertin - a fundar um órgão internacional para promover o olimpismo: o Comitê Olímpico Internacional (COI). Pierre de Frédy era um educador, interessado no papel do esporte na escola e via nele a capacidade de formar pessoas mais corretas e saudáveis.
O COI organizou uma festa internacional para promover o olimpismo: os Jogos da I Olimpíada, realizados em 1896, na cidade de Atenas, na Grécia, país berço dos jogos da Antiguidade. Desde então, os jogos vem crescendo: começaram 241 atletas de 14 países; em Pequim, na China, em 2008, foram 11.028 atletas de 204 países.

Estádio Panathinaiko, durante os I Jogos Olímpicos, em 1896.
Maratona dos Jogos de 1896. No centro, o grego Charilaos Vasilakosque terminou em segundo lugar, atrás de seu compatriota, o pastor Spiridon Louis. Duas semanas antes, Vasilakos ganhara a medalha de ouro na maratona dos Jogos Pan-Helênicos.

QUESTÕES (Data limite para envio das respostas: 3/8/2012):

1. Por que os Jogos Olímpicos começaram na Antiguidade? Por que eles recomeçaram nos tempos modernos?
2. Qual a nacionalidade do primeiro vencedor da maratona dos jogos modernos?

terça-feira, 17 de julho de 2012

Ajuda: como colocar comentários

1º passo: Ao final de cada postagem, texto, há um item que indica o número de comentários que aquela postagem recebeu. Clique ali.


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5º passo: Pode ser que o sistema peça para você digitar uma sequência de letras e números. Se acontecer, digite o que for pedido e aperte "Publicar".

6º passo: Se você fez tudo corretamente, deverá aparecer a mensagem abaixo:


Parabéns. A sua resposta só será exibida depois de 3/8/2012, quando o administrador do blog autorizará a exibição das respostas.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Jovem da periferia de SP transforma madeira velha em violinos

As gavetas de um velho guarda-roupas de araucária se uniram ao pedaço de uma mesa de imbuia. Juntas, sob a forma de um violino, agora tocam Beethoven e Bach. Assim, os móveis descartados em um terreno baldio se transformam em música no extremo leste de São Paulo.


Desde 2009, quando começou a frequentar aulas de luteria - construção de instrumentos musicais -, David Rocha, 20, busca no lixo a madeira para montar seus próprios instrumentos.

"O tampo desse violão clássico é de abeto, uma madeira da Europa parecida com o pinho. Veio de uma caixa de bacalhau da Noruega que eu peguei no Mercadão", explica o jovem músico, na oficina de luteria.

Com a madeira que encontra, David já construiu um alaúde, um cavaquinho, um bandolim, uma rabeca e outro violão, barroco.
O interesse pela música vem desde criança, quando assistia, pela televisão, aos concertos da Sala São Paulo. Aos 16, ele aprendeu a tocar em uma igreja evangélica.
Determinado a montar um violino só para ele, David encontrou nos móveis descartados um meio para isso.

"Cada madeira que eu encontrava, mostrava para o professor, para saber se servia", conta David.

Ele cursa o último ano do ensino médio e hoje é monitor da oficina de luteria durante a tarde. Pelo trabalho, ele recebe uma bolsa de R$ 450 da Fundação Tide Setúbal, que promove o curso no Galpão de Cultura e Cidadania de São Miguel Paulista.
Como não segue as rígidas especificações usadas na fabricação do violino, o que David fabrica é chamado de rabeca-violino, uma versão mais rústica do instrumento.

"Ele obteve um resultado de qualidade muito rápido para quem está começando", elogia Fábio Vanini, professor da oficina de luteria.

"A vantagem de ele usar as madeiras do lixão é que elas passaram pela prova do tempo, não vão mudar mais suas características", diz o luthier.

MÚSICA VERDE

O interesse de David por materiais reciclados pode se tornar uma vantagem, já que o ofício sofre com a falta de madeira nacional disponível. Segundo Vanini, a maioria dos bons violões é feita com jacarandá-da-bahia, que tem o corte proibido. Ou de mogno, difícil de ser encontrado.
Além de seguir a carreira como músico e luthier, um dos sonhos do "violinista do lixão" é conhecer a Sala São Paulo, onde tocam as melhores orquestras da cidade.

"Uma vez fui com minha mãe, mas chegamos atrasados e não conseguimos entrar", desabafa.

CONVITE

Heber Sanches, professor de violino da Fundação Bachiana, assistiu ao vídeo de David, feito pela Folha.

"Bacana o som que ele tira do instrumento. E tem muito luthier que adoraria tê-lo como aprendiz". Empolgado, Heber quer convidá-lo para ter aulas na fundação.

Matéria original da Folha Online:

CORREA, Vanessa. Jovem da periferia de SP transforma madeira velha em violinos. disponível na internet. <http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/912475-jovem-da-periferia-de-sp-transforma-madeira-velha-em-violinos-assista.shtml>. Junho/2012.

A música tocada por David Rocha é "Jesu, Bleibet Meine Freude" (Jesus, Alegria dos Homens), de Johann Sebastian Bach, escrita em 1716, em Leipzig, Alemanha. A versão completa dela, pode ser ouvida no violão de Humberto Amorim, abaixo:


QUESTÃO:

Cite dois pontos positivos no uso destas madeiras encontradas por David Rocha que são informados no texto.

Alianças quase impensáveis


Neste ano há eleições marcadas para os cargos de prefeito e vereadores Brasil afora, e, por isso, vemos políticos se movimentando, firmando alianças para se tornarem mais fortes na campanha eleitoral. Estas alianças buscam juntar eleitores para um determinado candidato e aumentar a duração do programa eleitoral do candidato no rádio e na TV. Se eleito, os partidos que o apoiaram ganham secretarias, cargos etc.
Para estas eleições, há alianças quase impensáveis há alguns anos atrás. Garotinho, hoje no PR, se uniu a César Maia (DEM) para, juntos, disputarem a eleição para a Prefeitura do Rio contra Eduardo Paes, que é apoiado por Sérgio Cabral, ambos do PMDB. A idéia é a seguinte: o filho de César Maia, Rodrigo, é candidato a prefeito, tendo como sua vice, Clarissa, a filha de Garotinho. Os dois juntos buscam juntar seus votos para bater Eduardo Paes.
O curioso é que os atuais aliados já foram adversários dos mais agressivos. Garotinho venceu César Maia numa disputa pelo cargo de governador. Os dois já se chamaram de mentirosos um ao outro; Garotinho chamou César Maia de ladrão e disse que o legado das suas administrações no Rio foi uma tragédia; por outro lado, César Maia disse, no passado, que pediria a prisão de Garotinho.
Outra detalhe: no passado, Paes era aliado de Maia (surgiu na política como subprefeito da Barra, na administração César Maia) e Cabral era aliado de Garotinho (na época de sua eleição para o Senado). Confuso, não?
Em São Paulo, a corrida pela prefeitura também deu origem a uma aliança inesperada para muitos. O ex-presidente Lula (PT) buscou o apoio do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf (PP). Lula foi preso pela ditadura militar e Maluf ajudou a ditadura. Lula já chamou Maluf de ladrão e de “símbolo da pouca-vergonha nacional”. Maluf já chamou o ex-presidente de desocupado.
São desqualificações fortíssimas. Por menos, pessoas muito amigas deixam de se falar. Mas nossos políticos tem a grande capacidade de deixar as desavenças de lado, mudar de opinião e se unir.

Fontes:

O ESTADO DE SÃO PAULO. Governador tem carreira apoiada em seus padrinhos. Disponível na internet. <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,governador-tem--carreira-apoiada--em-seus-padrinhos-,875674,0.htm>. Junho/2012.
OLIVEIRA, Carlos Roberto. Lula, Maluf e prostituição política. Disponível na internet. <http://apatotadopitaco.blogspot.com.br/2012/06/lula-maluf-e-prostituicao-politica.html>. Junho/2012.
UOL. Aliança entre ex-rivais Garotinho e César Maia vira piada e gera indignação no Twitter. <http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/02/28/alianca-entre-ex-rivais-garotinho-e-cesar-maia-vira-piada-e-gera-indignacao-no-twitter.htm>. Junho/2012.
UOL NOTÍCIAS. Polêmicas entre César Maia e Garotinho. Disponível na internet. <http://noticias.uol.com.br/album/120303garotinhomaia_album.htm#fotoNav=7>. Junho/2012.

QUESTÃO:

Quais são os dois políticos citados no texto que são do mesmo partido?

sábado, 16 de junho de 2012

Notícias da saúde pública no Rio

No Rio, os hospitais públicos são de três tipos, dependendo de seu administrador: federais (Governo Federal), estaduais (Governo do Estado) e municipais (Prefeitura). A população pode usar qualquer um deles. Quando os governos não agem direito, quem sofre é o povo.
O Hospital Estadual Pedro II, em Santa Cruz, ficou fechado por quase dois anos, depois de um incêndio. A opção pública para quem mora na região se tornou o Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande. Em agosto de 2010, este hospital fazia cerca de 900 atendimentos de emergência; depois do incêndio do Pedro II, esse número passou para cerca de 20 mil. Logo, o Rocha Faria ficou superlotado, e seus médicos, sobrecarregados.
Entre março e abril de 2011, o comerciário Thiago VTC (ele quis se identificar apenas assim) vivenciou a tragédia da saúde pública. Seu pai, de 54 anos, com um tumor no intestino, ficou sendo atendido por três dias, em uma cadeira no corredor. Este senhor faleceu quatro dias depois de ser transferido para uma enfermaria, quando houve alguma maca disponível. Thiago lamenta:

“A demora no atendimento adequado pode ter piorado o quadro dele”.

Outro médico da unidade declarava na época:

“Isso aqui é um campo de guerra”.

Em fevereiro deste ano, uma equipe do jornal O Dia esteve no hospital e encontrou, pelo menos, trinta pacientes em um corredor, com patologias diversas, havendo um que ficava deitado junto ao quadro de energia. Alguns já estavam “internados” ali há uma semana, sem tomar banho, dividindo espaço com lixeiras. Um funcionário não identificado apresenta o seguinte panorama:

“É muito paciente para pouco funcionário. Os médicos têm que gritar, como se fosse uma lista de chamada, de tão cheio que está o hospital. E se o paciente não estiver atento para responder, é esquecido. Não há como atender a todos”.

No início deste mês de junho, equipe da TV Record entrevistou uma médica de plantão no hospital, que não conseguiu evitar reclamar pelas condições da unidade de saúde:


Naquele dia, a médica teve que atender, ao mesmo tempo, um enfartado e um suicida. A reportagem apurou que, naquele dia, foram realizados, no total, 497 atendimentos de emergência na unidade, quatro vezes mais do que sua capacidade (120 atendimentos/dia).
O Hospital Pedro II – cujo fechamento seria responsável pelo excesso de pacientes no Rocha Faria – finalmente, foi reinaugurado em toda sua capacidade no último dia 7 de junho, agora como hospital municipal. Mas a Prefeitura, que gastou noventa e seis milhões de reais na reforma (R$ 96.000.000), o entregou para uma organização social (OS) chamada Biotech Humana, do grupo Pelegrine Saúde, um grupo particular.
A Prefeitura irá pagar duzentos e cinqüenta e sete milhões de reais (R$ 257.000.000) para que esta OS administre a unidade por dois anos. Ou seja: a prefeitura gasta com a reforma do hospital e depois o entrega para a iniciativa privada que irá receber outro dinheiro da Prefeitura. O Governo do Estado também pagará quarenta milhões de reais (R$ 40.000.000) para a Biotech.
O vereador Paulo Pinheiro ainda questiona a escolha desta OS para administrar o hospital:

“...tudo indica que [o controle do hospital] será ganho pela Biotech, cujo responsável técnico, Sr. Valter Pelegrine, é o mesmo que foi expulso do Pedro II em 1998, por má gestão. O Grupo Pelegrine Saúde é o mesmo que ganhou licitação para gerir o Hospital de Acari [Hospital Municipal Ronaldo Gazolla], onde foram cobrados vinte e cinco milhões [de reais] (R$ 25.000.000) por serviços não realizados, incluindo 15 mil tomografias num hospital que não possui tomógrafo...”.

QUESTÕES:

1. Como você acha que está a administração da saúde pública do Rio? Cite dois elementos do texto que justificam sua resposta:
2. Aponte quais são os gastos totais da Prefeitura com o Hospital Pedro II citados no texto:
3. Por que Paulo Pinheiro parece discordar da escolha da Biotech Humana pela Prefeitura?